Teólogos Cristãos – John Wesley

Para a Inglaterra, o início do século XVIII foi palco de diversos movimentos religiosos que visavam melhorar as circunstâncias espirituais do povo inglês. Um desses movimentos ganhou destaque, e teve uma figura central. Um homem chamado John Wesley.

Seu pai, Samuel era ministro anglicano e sua mãe, Suzana ocupou-se com a educação e a formação religiosa dos DEZENOVE filhos que o casal tinha. John Wesley “sempre se mostrou ávido leitor de conteúdos devocionais.” Quando ele tinha cinco anos de idade, ocorreu um incêndio em sua casa. O menino, como se uma força superior o inspirasse, tomou as medidas necessárias para que pudessem resgatá-lo. Sua mãe passou a referir-se a ele como um “tição tirado do fogo”.

Vendo naquele incidente uma indicação dos planos de Deus para a vida do garoto. Wesley estudava no Christ Church College, um dos melhores estabelecimentos de cultura superior em todos os internatos que formavam a Universidade de Oxford.

O Seu Início Teológico

O jovem já tinha feito sua formação fundamental na escola de Charterhouse, pois graças a seu esforço e talento no aprendizado seu pai conseguiu uma ajuda para custeio de seus estudos neste que era um dos maiores colégios de Londres.  Wesley se destacou e conseguiu uma bolsa para estudar em Oxford no ano de 1720.

Também foi proeminente na universidade de Oxford, onde havia se distinguido por sua dedicação aos estudos e por suas leituras das obras de devoção. No entanto o tempo que passou na Universidade foi um importante na experiência religiosa de Wesley. Em 1725, ele entrou em contato com algumas das literaturas que mais o marcaram, como os textos de Willian Law e um livro que falava a respeito da conduta moral cristã, conforme o próprio Wesley relata: “No ano de 1725, quando tinha 23 anos, chegou às minhas mãos o livro do Bispo Taylor, “Regras e Exercícios para Viver e Morrer Santamente.” […] Imediatamente resolvi dedicar a Deus toda a minha vida, todos os pensamentos, palavras e ações, e me convenci de que não havia meio termo.

Um parêntese se faz necessário aqui: muito do que herdamos sobre a prática devocional vem do Metodismo Wesleyano, como o exercício diário da leitura bíblica. Os momentos devocionais diários de oração e leitura eram caríssimos a Wesley, ali ele se via confrontado a alcançar e manter um alto padrão espiritual e moral.

Durante os estudos de Wesley em Oxford, houve a formação de uma sociedade religiosa fundada por Carlos Wesley, seu irmão, e alguns de seus amigos. Os membros dessa sociedade se comprometiam a levar uma vida santa e sóbria, a receber a comunhão uma vez por semana, a cumprir fielmente suas devocionais particulares, a passar três horas reunidos a cada tarde, estudando as Escrituras e outros livros religiosos, João havia se convertido em líder daquela sociedade, que recebia os nomes depreciativos de “clube santo”, “devoradores de Bíblia” e “metodistas”.

O nome “metodistas”, digamos, “pegou” e foi assumido pelo grupo, mas este ainda não possuía a organização e o modelo eclesiástico do Metodismo histórico posterior. Na verdade, esse movimento tinha pretensão apenas de ser um grupo de estudo bíblico e oração, onde jovens universitários lutavam por suas próprias almas. Portanto não era voltado à formação de uma denominação.

Será Que Sou Cristão Mesmo?

Mesmo com a busca incessante a Deus, a certeza da salvação de sua própria alma foi motivo de crise para Wesley, devido a uma circunstância que o marcou de modo profundo. No seu livro sobre história do Cristianismo, Gonzalez relata como foi o acontecimento que ocorreu no ano de 1735, quando Wesley embarcou num navio tripulado por missionários morávios dirigindo-se para a Georgia com o fim de evangelizar os índios nativos. O autor descreve o acontecimento que desafiou as certezas que Wesley mantinha acerca de sua fé, devido ao Naufrágio do navio, que fora causado por uma tormenta:

O perigo se fez iminente quando o mastro maior se quebrou e o pânico tomou conta dos passageiros e até da tripulação. Mas o grupo de morávios, sem deixar de cantar hinos e com unanimidade surpreendente conseguiu acalmar a todos. Perguntou Wesley se eles não estavam espantados eles disseram “Não, senhor,’ respondeu o morávio com singeleza, ‘nossas mulheres e crianças não temem a morte”. Deste modo, Wesley era um já consagrado sacerdote anglicano, que, entretanto não possuía certeza completa de sua salvação.

Chegado na Geórgia, não foi bem sucedido no seu ministério lá, onde passou 3 anos e retornou à Inglaterra. Assim que chegou à Inglaterra, Wesley passou por algo que o mudaria para sempre, e lhe daria a certeza que tanto carecia. Foi em 1738, na rua Aldersgate. Wesley escutava alguém ler o prefácio de Lutero à epístola aos Romanos. Ele mesmo em seu diário relata: enquanto ele descrevia a mudança que Deus opera no coração mediante a fé em Cristo, senti em meu coração um ardor estranho. Senti que confiava em Cristo, e somente nele, para a minha salvação e me foi dada a certeza de que ele havia resgatado os meus pecados.

A experiência de conversão genuína a Deus é o que marca a vida de cada cristão. Desse modo, podemos dividir nossa história de vida em antes e depois desse grande evento. É algo que só o indivíduo e o próprio Deus sabem que ocorreu. Ali é obtida a convicção da Graça Salvadora de Jesus Cristo.

Salvo, e Agora Evangelista e Líder

John Wesley já não era o mesmo. Agora estava pronto para fomentar e liderar o que podemos de um dos maiores, se não o maior movimento avivalista de toda a Europa da Modernidade. Viajava o país inteiro a cavalo, pregando de modo intrépido, e treinava outros pregadores metodistas. Acreditava num Evangelho social, voltado para as necessidades mais importantes do homem, e via na prática cristã, aliada à teoria a chave para uma Igreja condizente com a Bíblia e seus princípios.

O que torna John Wesley um dos grandes pensadores cristãos não é exatamente a complexidade e profundidade acadêmica de seus escritos. Ele mesmo declara que escrevia de forma simples para o povo simples. O que temos de material de Wesley vem de seus sermões, cartas e diários.

Não escreveu tomos de Teologia, mas escreveu palavras de vida em muitos corações. Sabia de muitos assuntos, era estadista, conhecia de política, sociedade e até de medicina. Tudo em vista de servir. Era rígido e de temperamento forte. Comprou briga contra o escravagismo, sobre o qual muitos se calavam. Viu além do modelo de Igreja da época, e realmente o transcendeu.

Para nós, a pergunta é: que fazemos ao estarmos certos de nossa salvação? Para que nos tornamos novas criaturas, se não trouxermos a verdadeira novidade a tudo que nos cerca? Porque nem sempre contribuímos com aqueles que estão ao nosso redor, mostrando a eles o caminho correto?

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